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A devoção ao Sagrado Coração de Jesus

 

Na Encíclica “Haurietis Aquas”, de Pio XII, mais concretamente no Nº 14, o Santo Padre fala dos dois elementos essenciais a esta devoção: o coração físico de Jesus e a sua caridade para com todos os homens.

Falar da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, é entrar numa grande história de amor de Deus para com toda a humanidade.

A este respeito fala-nos muitas vezes São Paulo nas suas Cartas, nas quais estão escritos muitos hinos de louvor e de gratidão para com o amor divino.
 

Falar do Coração de Cristo é entrarmos na sua intimidade, compreendermos o alcance da Sua entrega oblativa na Cruz para a salvação de todos.

Como podemos ler no ponto seguinte, a Bíblia está cheia de referência à palavra coração; no entanto damos importância à passagem do Evangelho de São João que nos relata o episódio do lado aberto do Senhor, que é sem dúvida a mais importante fundamentação bíblica desta devoção.

No alto da Cruz, com o coração aberto pela lança do soldado, Jesus é verdadeiramente imagem do amor que se entregou até ao fim. Esta entrega não é sinal de derrota, ela é uma entrega vitoriosa. Só assim entendemos a expressão de Jesus. “Ninguém Me tira a vida, sou Eu quem a dou voluntariamente”, e as suas últimas palavras. “Tudo está consumado”(Jo 19,30).
 

Estas expressões são para São João um grito de vitória daquele que foi capaz de ir até ao fim só por amor.

No episódio da Cruz, com o coração trespassado, está assim cumprida a Sua obediência ao Pai, no seguimento de tudo aquilo que foi a Sua vida pública: “O Meu alimento é fazer a vontade daquele que Me enviou e consumar a Sua obra” (Jo 4,34).

A vontade do Pai para com o Seu Filho muito amado, em quem pôs toda a sua complacência, não podia ser a Sua morte, mas sim a vida em abundância para o resgate de todos.

A obediência de Jesus na Cruz tem assim a sua origem no Seu amor radical pelo Seu Pai.

Neste episódio da Cruz temos assim um mandato de Deus (a entrega do Seu Filho) e a obediência do Seu Filho ( a aceitação da morte).

Neste mandato/obediência não podemos ver uma imposição/submissão, mas sim a tradução joanina do amor que se entrega e do amor que se recebe; é deste amor que nos fala a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
 

Esta devoção não é coisa do passado, falar do Coração de Cristo é falar da Sua pessoa divina, que nos amou e que nos ama; estando continuamente a acolher-nos com a Sua misericórdia aquando das nossas infidelidades.

Amar e perdoar, eis a mensagem do Divino Coração.

No mundo hodierno é urgente e necessário falarmos aos corações deste Coração.

É através do amor que devemos incendiar os corações arrefecidos. Da importância da via do coração para a evangelização falou-nos João Paulo II no seu Testamento Espiritual: ”Só o amor converte os corações e nos dá a paz”.

O actual Papa, Bento XVI, consciente da importância da centralidade da vida cristã no amor de Cristo, na sua Encíclica “Deus é amor” cita por três vezes o coração trespassado de Cristo, ele é assim fonte de graça, santidade, paz, alegria e misericórdia.

O lado aberto do Senhor é assim a imagem por excelência, o ícone da loucura do amor de Deus.

É devido a este amor sem limites que São João acaba o seu relato citando a profecia de Zacarias: “Olharão para Aquele que trespassaram”(Jo 19,37).

Com São João podemos aprender a contemplar o Coração de Cristo, fazendo dele a nossa morada.

O Monumento a Cristo Rei tem a graça de ter como missão mostrar ao mundo o mistério deste Coração redentor. Mostrar e ajudar a que todos O amem, O adorem, O louvem.

Que grande espiritualidade tem este Santuário! Que dom e que graça Deus e a Igreja lhe concederam: ser sinal visível do amor e dar a conhecer o Coração que nos ama com amor infinito a todos os que o visitam, colocando-os no Seu coração, e incendiando-os no Seu amor, tornando cada peregrino apóstolo da esperança
 
(Pe. Dário Pedros, Sj).