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Geminação dos Santuários Cristo Redentor no Rio de Janeiro - Brasil

e Cristo Rei, em Almada - Portugal

 
Intervenções:
 
 
 
 
 
  • Intervenção de D. Gilberto dos Reis, Bispo de Setúbal no santuário de Cristo Redentor, no Corcovado, Rio de Janeiro na 2ª fase da geminação entre este santuário e o santuário de Cristo Rei, em Almada

12 de Outubro de 2009, celebração festiva às 15.00 locais

 

“Realiza-se hoje a segunda fase da geminação entre o Santuário Nacional de Cristo Rei de Almada na diocese portuguesa de Setúbale o Cristo Redentor do Corcovado desta cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. Assim se conclui a geminaçãoiniciada em 17 de Maiono início das Bodas de Ouro do Santuário de Cristo Rei com o assentimento e a honrosa presença deV. Exa. Rev.ma, srD.Orani, Arcebispo do Rio de Janeiro.

Saúdo V. Exa. Revma, sr D. Orani, as Exmas. autoridades, os peregrinos e aqueles que nos acompanham pelos Media.

Com a minha presença e do sr Reitor do Santuário agradeço de novo a V.Excia Revma o facto de ter aceite a geminação dos dois Santuários, bem comoa presença de V. Excia e do Sr Reitor deste Santuário nas celebrações do Cristo Rei em Setúbal, em Maio passado e ainda o convite para participar nesta celebração.

Esta geminação começou a ser desenhada– pode dizer-se - quando, há quinhentos anos, os portugueseschegaram a esta terra e aqui anunciaram o Evangelho de Jesus Cristo. Em boa hora o fizeram. Asemente da Palavra de Deus caiu em terra tão fértil e produziu tanto fruto que o Brasil se tornou a maior nação católica do mundo, rica de abundantes e belos sinais de fé cristã e católica. Entre esses sinais está este monumento construído para comemorar o centenário da independência do Brasil, inaugurado em 1931 ereconhecido como uma das sete maravilhas do mundo.

Há outra circunstância que prepara a geminação. Foi aqui que o Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira, Patriarca de Lisboa, em visita ao Cristo do Corcovado, em 1934 , concebeu a ideia de construir em Lisboaum monumento a Jesus Cristo. Regressado ao Patriarcado anunciou este desejo aos bispos de Portugal. A ideiafoi bem aceite pelos bispos como o haveria de ser pelos fiéis portugueses que se empenharam a fundo na construção do Monumento a Cristo Rei. Seria inaugurado em 17 de Maio de 1959, em grande festa e também com a presença do Arcebispo do Rio,em agradecimento a Deus pela paz em Portugal na segunda guerra mundial.

Estes dois monumentos ainda antes da geminação formal - e mesmo sem ter em conta o facto de os dois serem dedicados a Nosso Senhor Jesus Cristo como Redentor ou como Rei; o facto de ambos se relacionarem com momentos fortes da história do país; e ainda acircunstância de se situarem em lugares muito bonitos – testemunham uma viva e bela relação de dois paísesirmanados pelos laços da fé cristã e da língua:Portugal deu Jesus Cristo ao Brasil que Lhe erigiu este grandioso Monumento e o Brasil (o Corcovado)deu a Portugal (à Igreja de Portugal) a inspiração de edificar o Monumento a Cristo Rei. A geminação põe em evidência o que há já estava bem unido pelos laços da história.

Mas uma geminação faz-se a pensar no futuro mesmo quando celebra o passado.

Que pretendemos, daqui para diante, com esta geminação?

A sua finalidade última é contribuir para que a fé em Jesus Cristo Redentor Universal -quemoldou estesdois países irmãos – cresça e amadureça nos fiéis praticantes e seja anunciada com novo entusiasmo e métodos aos ainda descrentes como pediu o grande Papa João Paulo II.

A proclamação de Jesus morto e ressuscitado como Senhor e Salvador Universal, sempre prioritária continua a sê-lo nos nossos países de maioria católica tanto ou mais que o era ontem.

O anúncio de Jesus é urgente porqueà nossa volta muitas pessoasbaptizadas ou não O desconhecemmesmo no simples plano histórico e, além disso, não são poucos os fiéis praticantes que ignoram os rudimentos da fé cristã e que têm uma prática diária desligada da fé confessada no Eucaristia dominical.

A preocupação com o fortalecimento da fé e do seguimento de Jesus é ainda urgente porque os cristãos são chamados a viver e a testemunhar a fénum contento cultural adverso. Contexto culturalinvadido de seitas e novas seitas em que cada uma inventa o seu Cristo; contexto cultural de relativismo que pode permitir tudo - mesmo o inimaginável - e em que alguns fazem passar o erro grave de que a verdade é aquilo que os homens acertam nos parlamentos; contexto cultural em que se vive como se Deus não contasse ou em que o homem é tentado a inventar um deus à sua medida, ficando escravo de si mesmo; contexto cultural de individualismo feroz que leva as fiéis a diminuírem e até perderem a consciênciada pertença à Igreja; contexto cultural em que parece ser sinal de modernidade desvalorizar a fé cristã ou apresentá-la pelo episódico.

Através da partilha das experiências pastorais dos santuários esta geminação há-de contribuir:

  • para fortalecer estes santuários na missão central de dar Cristo ao mundo e deformar uma Igreja de cristãos de fé esclarecida, corajosa, coerente, feliz e capaz de ser sal e luz para este mundo por quem Deus Pai entregou o Seu filho unigénito; igreja que sendo um só coração e uma só almaseja fermento dum mundo de justiça e de paz animado pela caridade na verdade como nos propôs o Santo Padre Bento XVI;
  • para ajudar os peregrinos que a eles se dirigem com fé a encontrar neles um espaço propício para o encontro com Deus vivo, para a redescoberta da Igreja, Corpo vivo de Cristo Ressuscitado, para o encontro entre as pessoas mais diversas, para o encontro consigo mesmo e com a natureza, para sair em socorro dos pobres, para desejarem mais vivamente viver em Cristo;
  • para inventar meios capazes de ajudar as pessoas -que a eles se dirigem apenas para descansar um pouco, paraapreciar a natureza ou pela curiosidade-a descobrir o mistério que envolve a vida humana e a sua própria vida: o mistério de Deus Pai que no Seu Filho nos enche do Espírito de vida e de amor.

Edificar o santuário espiritual é obra ainda mais importante e audaciosa que edificar o monumento em betão.

Os nossos antepassados foram capazes, com grande sacrifício e comgrande audácia, de dar as mãos para construirestes dois grandes monumentos. Cabe-nos a nós, hoje,a missão de compreender e de acolher aquilo que os nossos antepassados nos quiseram dizer com estes santuários e que se resume em duas palavras: acolher Jesus e revelá-Lo a todos os homens.

Fá-lo-emos, com a intercessão materna de Nossa Senhora, ajudando as pessoas por um lado a descobrirem na imagem do monumentoo Deus da misericórdia e da vidaa dizer bem do homem, a amá-lo, a abraçá-lo, a engrandecê-lo e ajudando-as por outro lado a não terem medo de Lhe dar espaço no seu coração e no coração cidade.”

+ Gilberto, Bispo de Setúbal

12 de Outubro de 2009
 

 
  • Intervenção de D. Orani Tempesta, Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, no santuário de Cristo Redentor, no Corcovado, Rio de Janeiro, na 2ª fase da geminação entre este santuário e o santuário de Cristo Rei, em Almada

12 de Outubro de 2009, celebração festiva às 15.00 locais

"No dia 17 de maio deste ano, comemorou-se na Diocese de Setúbal, em Portugal, o cinquentenário da inauguração do santuário dedicado a Cristo Rei. Estivemos presentes juntamente com o reitor do Santuário do Cristo Redentor do Corcovado e outras autoridades.

Nessa ocasião, diante do enviado especial do Papa Bento XVI, o Cardeal Saraiva Martins, que presidiu a celebração, concelebrada por toda a Conferência Episcopal Portuguesa, e com a presença de representantes dos governos federal, estadual e municipal do Rio de Janeiro, demos o primeiro passo na geminação dos dois santuários. Foi grande a movimentação popular em Portugal nesses dias em que foi trazida também a imagem de N. Sra. de Fátima, que raramente sai do seu Santuário, para estar presente nesse importante evento.

A inspiração começou em 1934, com o então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manoel Cerejeira, que, ao conhecer o Corcovado brotou em seu coração o desejo de construir semelhante obra frente a Lisboa. A ideia foi apoiada por todos os Bispos de Portugal na Pastoral Coletiva da Quaresma de 1937. Os bispos portugueses fizeram um voto em Fátima, no dia 20 de Abril de 1940, e a pedra fundamental foi lançada a 18 de Dezembro de 1949.

A inauguração do monumento foi no dia 17 de maio de 1959, Dia de Pentecostes, perante a imagem de N. Sra. de Fátima, com a participação de todo o episcopado português e dos Cardeais do Rio de Janeiro e de Lourenço Marques, hoje Maputo, além de autoridades civis e mais de 300 mil pessoas. Naquela ocasião o Papa João XXIII enviou uma radio mensagem.

É interessante notar que nós que recebemos da Península Ibérica o primeiro anúncio da fé, tenhamos em Portugal um Santuário que foi inspirado na imagem do nosso Cristo Redentor.

Nesse domingo festivo de Maio, no final da celebração da Eucaristia das 16 horas, realizada na esplanada diante do monumento a Cristo Rei, em Almada, que abre os braços do outro lado do Rio Tejo sobre toda a cidade de Lisboa, assinamos a geminação entre o Santuário do Cristo Redentor do Rio de Janeiro e o de Cristo Rei de Portugal. Isso consiste na partilha de textos, documentação, das imagens da respectiva invocação, troca de intenções mútuas e peregrinações.

A essa primeira fase irá agora suceder outra, que ocorrerá aqui no do Rio de Janeiro quando estará entre nós o Bispo de Setúbal, Diocese onde está situada a Paróquia de Almada. É aí que se encontra a imagem de Cristo Rei. Virão também o Reitor desse Santuário e outras autoridades que estarão no Rio de Janeiro para assinar, no alto do Corcovado, os termos dessa geminação e trocar documentos e textos sobre os Santuários. Há uma longa agenda a ser cumprida, mas o momento central será na segunda feira, dia 12 de Outubro, às 15 horas.

Nesse dia, o nosso Cristo Redentor estará completando 78 anos de sua inauguração. Do cume do Corcovado, a 710 metros de altura, ergue-se esse monumento de 38 metros, de 1.145 toneladas, construído com a participação do povo que, com entusiasmo, viu erguer esse sinal que hoje é uma das sete maravilhas do mundo moderno. Identifica-se com o Rio de Janeiro e com o Brasil. Hoje é o nosso Santuário Arquidiocesano do Cristo Redentor do Corcovado, local de peregrinações, orações e celebrações.

Recordo que iremos iniciar em breve uma campanha para a restauração desse monumento, preparando-o para os grandes eventos que ocorrerão futuramente em nossa cidade maravilhosa.

Que a fé cristã simbolizada nesse sinal e, em união com as tradições que recebemos de Portugal, seja para todos nós um anúncio de alegre acolhimento na construção da Paz e da Fraternidade.
Além da influência que foi também para muitas cidades do Brasil colocarem nos montes ou entrada dos municípios esse sinal do amor de Deus, foi ainda tema de canções e livros. Queremos que ele seja sempre um sinal que nos recorde o Senhor e Salvador Jesus Cristo, que convida a todos para que se aceitem mutuamente e cresçam na unidade.

Acredito que o importante é que toda essa movimentação e divulgação possam ajudar cada pessoa a buscar em Cristo a sua vida e a orientação da caminhada, aliás, como disse o Episcopado Português em nota por ocasião daquele jubileu: “apelamos às comunidades cristãs e aos movimentos que encontrem modos concretos para centrarem mais em Cristo a sua vivência e para agirem como sinais vivos do amor de Deus no tempo presente.”

É o que desejamos que ocorra também agora ao nosso redor: o “ardor apostólico dos discípulos missionários que vem do encontro pessoal com Cristo e da necessidade de comunicar ou narrar a outros a experiência vivida.”


+ Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
 

 

  • Intervenção do Reitor do Santuário de Cristo Rei, Pe. Sezinando Alberto no santuário de Cristo Redentor, no Corcovado, Rio de Janeiro na celebração da conclusão da 2ª fase da geminação entre este santuário e o santuário de Cristo Rei, em Almada

12 de Outubro de 2009

É com emoção que vejo hoje concluído o processo de geminação deste Santuário Arquidiocesano de Cristo Redentor com o Santuário Nacional de Cristo Rei, situado em Almada, Portugal.

É com emoção porque faz, precisamente este ano, 75 anos que neste monte do Corcovado, junto a esta imponente imagem, que o então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, sentiu a inspiração de fazer semelhante obra em Portugal.

Nesta época, anos trinta, nalguns países ditos de tradição cristã, eram criadas políticas por parte dos governos, contrárias aos valores da fé, procurando, assim, afastarem Deus da vida dos Homens.

Em resposta a estes novos desafios, a Igreja dava os primeiros passos na acção católica, com a sua mística tão ligada à devoção do Sagrado Coração de Jesus, sinal eloquente do infinito Amor de Deus para com toda a humanidade.

Num mundo que dava sinais de afastamento de Deus, a imagem de Cristo Redentor e o projecto de construção de Cristo Rei apareciam assim como sinais de fé de um povo irmão, que não tinha vergonha de proclamar Deus como seu Pai, fim último de toda a existência.

Portugal e Brasil testemunhavam ao mundo a sua total confiança e agradecimento a Deus por ter estado sempre presente nos grandes acontecimentos e aflições da sua história.

Passados 78 e 50 anos da construção dos dois Santuários, novos desafios lhes são colocados. Em todo o lado há tentativas, muitas delas subtis, de neutralizar e minimizar os sinais religiosos presentes na sociedade.

Tanto aqui no Rio de Janeiro, como em Almada, os dois Santuários são publicitados como excelentes miradouros turísticos, dos quais se avista magnificas paisagens. Cristo Redentor e Cristo Rei não são meros locais de atracção turística; são Santuários, lugares de encontro do Homem com Deus.

É, assim, necessário e urgente que intensifiquemos uma pastoral de peregrinação de modo que os visitantes se sintam acolhidos no abraço de Cristo. De braços abertos e o coração no peito, as duas imagens são um sinal de paz e do amor de Deus, caminho único para a construção duma sociedade mais justa e fraterna.

Que grande responsabilidade nos deram os nossos Bispos, Padre Omar. Com a ajuda do nosso povo, criemos as condições necessárias para que o ambiente à volta dos nossos Santuários seja um convite à oração ao encontro e à partilha. Educar para o silêncio interior não é fácil, no entanto, é o caminho necessário e urgente que temos que abrir, de modo que a mensagem do Mestre toque os corações mais afastados de todos aqueles que nos visitam.

Que esta geminação nos ajude a partilhar as vivências e progressos dos dois locais de culto, de modo a que o mundo nos reconheça como locais privilegiados de encontro com Deus.

A réplica das duas imagens que ficam agora em cada Santuário seja um testemunho perene da ligação cultural e espiritual existente entre as duas nações irmãs.

 
Pe. Sezinando Alberto
Reitor do Santuário de Cristo Rei
 

 
  • Intervenção de António José Emauz de Almeida Lima, Consul Geral de Portugal no Rio de Janeiro no santuário de Cristo Redentor, no Corcovado, Rio de Janeiro na 2ª fase da geminação entre este santuário e o santuário de Cristo Rei, em Almada
 
12 de Outubro de 2009
 
 
 
Excelências Reverendíssimas

Distintas autoridades

Reverendos padres e reitores dos Santuários de Cristo Rei e de Cristo Redentor

Minhas senhoras e meus senhores

É-me muito grato estar hoje aqui, no dia da padroeira do Brasil, a convite do Sr. Arcebispo do Rio de Janeiro e na presença do Sr. Bispo de Setúbal, para participar nas cerimónias de geminação dos Santuários brasileiro e português que representam a comum dimensão espiritual e devocional ao Cristo redentor, rei do universo, nas palavras da fé cristã e são as imagens de marca de dois países irmãos.

O Rio e Lisboa, as duas capitais do império português no passado, têm hoje como suas imagens fortes, turísticas e promocionais, as estátuas do mesmo Cristo que abençoa em gesto amplo e abrangente a visão dos homens que as visitam. Não tenho dúvidas que a recente consagração universal do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 teve, na imagem do Cristo Redentor, um dos seus elementos fundamentais de promoção.

Senhoras e senhores

Distintas autoridades

A história comum de Portugal e do Brasil, quer cívica, quer religiosa, está felizmente repleta de exemplos de inspiração e influências mútuas que revelam um sentimento de grande proximidade e fraternidade entre os dois povos.

No caso presente conclui-se hoje aqui um gesto formal que era há muito devido à ligação institucional entre o Santuário de Cristo Rei, em Almada, Portugal, e o Santuário de Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, atendendo à conhecida inspiração histórica que o brasileiro exerceu na criação do português.

Felicito a visão e o contagiante dinamismo dos reitores dos dois santuários, Padre Sezinando e Padre Omar, bem como a inteligente sabedoria dos prelados das duas dioceses, Dom Orani e Dom Gilberto, que reconheceram a importância desta parceria.

Meus senhores

São as pessoas e as obras que elas criam que fazem os países avançar e relacionar-se.

Portugal e o Brasil são dois países distantes, mas com muita coisa a uni-los desde há vários séculos. Mais do que as relações políticas e económicas importa que os dois povos continuem a estabelecer conexões sociais e culturais intensas.

Por isso, bem haja a todos quanto ao contexto desta geminação trabalharam e vão dar corpo e espírito a esta aliança que hoje aqui se formaliza.
 

António José Emauz de Almeida Lima

Consul Geral de Portugal no Rio de Janeiro