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História da Devoção ao Coração de Jesus

 
A história da devoção ao Coração de Jesus é bastante rica e extraordinária. Ninguém estranha que se diga que o primeiro devoto do Coração de Jesus foi o Apóstolo e Evangelista S. João. É ele que descreve a lança no peito do Senhor (Jo 19, 31-37), do qual saíram água e sangue. A água, símbolo do Baptismo e o sangue, símbolo da Eucaristia. É S. João que nos descreve o lado do Senhor aberto depois da Ressurreição, quando aparece a Tomé e o convida a meter a sua mão no seu peito trespassado (Jo 20, 26-29). É ainda João, autor do Apocalipse, que fala do coração trespassado (1,7). O amigo do Senhor, que reclinou a cabeça no seu peito, durante a última Ceia, é o primeiro devoto do Coração trespassado.
 
Todavia, durante séculos, vários autores sagrados, como Clemente de Alexandria, Leão Magno, João Crisóstomo, entre outros, fizeram referência à lançada que furou lado do Senhor e teceram comentários preciosos sobre o lado aberto.
S. Bernardo de Claraval (1094-1153) escreve sobre esse lado aberto e afirma: “a mim quando me falta alguma coisa vou buscá-la ao Coração de Jesus”, encontrando nesse Coração a fonte de todos os dons e de todas as graças. Mas, foi mais tarde, a partir de S. Boaventura que a literatura acerca do Coração de Jesus e a relação entre o coração físico de Jesus e o mistério do seu amor, se associam ainda com mais clareza.
 
Aparecem também dois grandes autores a falar do Coração de Jesus: S. Francisco de Sales (1567-1622) e S. João Eudes (1601-1680), que deram uma nova dimensão à devoção ao Sagrado Coração de Jesus. O primeiro inculca na Ordem da Visitação, por si fundada em 1610, uma particular devoção ao Coração do Redentor e escreve às suas religiosas visitandinas, como “filhas do Coração de Jesus”. O segundo, S. João Eudes, além de propagar esta devoção, compôs um Ofício (liturgia das Horas) e uma Missa em honra do Coração de Jesus, que foram celebradas pela primeira vez em localidades de França, a 20 de Setembro de 1672.
 
Surgem posteriormente duas figuras muito importantes nesta história da devoção ao Coração de Jesus: Santa Margarida Maria, da Ordem da Visitação (1647-1690) e o jesuíta São Cláudio de la Colombière (1641-1681), confessor de Santa Margarida Maria, e também ele escritor e pregador acerca desta devoção. As aparições a Santa Margarida Maria são, de facto, um marco importante no conhecimento e na expansão da devoção ao Coração de Jesus. Foi através de São Cláudio que o encargo de propagar a devoção ao Coração de Jesus chegou à Companhia de Jesus.
 
Muitos outros autores, santos e místicos, têm tido particular lugar nesta história da devoção ao Coração de Cristo Jesus. Em Portugal, foi a Beata Maria do Divino Coração, religiosa do Bom Pastor, que teve o encargo do próprio Jesus de escrever ao Papa Leão XIII, e alcançar a grande graça da Consagração do Género Humano, ao Coração de Cristo, feita a 11 de Junho de 1899.
 
Por ocasião do centenário desta Consagração, o Papa João Paulo II, tornou pública uma carta enviada a toda a Igreja acerca desta devoção. E o actual Papa, no cinquentenário da grande encíclica de Pio XII sobre o Coração de Jesus, enviou outra carta, desta vez ao Padre Geral da Companhia de Jesus, acerca desta devoção. Ele mesmo afirmou que a sua primeira encíclica, “Deus é Amor” nasceu do lado trespassado.
 
Temos deste modo, desde S. João até Bento XVI, uma história maravilhosa de figuras iminentes a falarem-nos do Coração trespassado como fonte de vida e de amor.