Fulton John Sheen, arcebispo norte-americano que levou o Evangelho a milhões de pessoas através da rádio e da televisão, foi beatificado na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, em Saint Louis, nos Estados Unidos.
A Missa de Beatificação realizou-se no The Dome at America’s Center e foi presidida pelo cardeal Luis Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, como representante do Papa Leão XIV. Segundo a Arquidiocese de Saint Louis, cerca de 50 mil fiéis participaram na celebração.
Na homilia, o cardeal Tagle apontou o centro da vida de Sheen: a sua comunhão com Jesus Cristo e a proximidade aos pobres. O alcance dos seus programas ajuda a compreender a influência que teve; a sua missão revela-se também na forma como conduziu outros ao encontro de Deus.
Fulton Sheen, o «porteiro» que conduzia as pessoas até Deus
Tagle recordou um episódio em que o Papa Pio XII perguntou a Sheen quantas conversões atribuía ao seu apostolado. O arcebispo respondeu que nunca as contara, receando pensar que lhe pertenciam. Via-se como um porteiro que, por vezes, conseguia conduzir as pessoas até à porta aberta da casa de Deus.
Foi a esta imagem que o cardeal regressou ao exclamar: «Bem-aventurado és tu, porteiro da porta da casa de Deus!» A frase traduz a atitude de um homem que falava a multidões e procurava apontar sempre para Cristo.
Nascido a 8 de maio de 1895, em El Paso, no Illinois, Fulton Sheen foi ordenado sacerdote em 1919. Professor, escritor e pregador, tornou-se uma das vozes católicas mais conhecidas dos Estados Unidos.
Na rádio, chegou a milhões de ouvintes através de The Catholic Hour. Na década de 1950, Life Is Worth Living levou-o também aos ecrãs de televisão. Diante das câmaras, explicava a fé e abordava questões da vida humana com clareza e sentido de humor. Em 1953, recebeu um prémio Emmy como personalidade televisiva de destaque.
«Nunca me canso de a contar»
Durante a beatificação, Tagle lembrou a resposta dada por Sheen a um amigo que lhe perguntara por que motivo se tornara sacerdote:
«Fui chamado para contar esta história [o Evangelho]. Nunca me canso de a contar.»
A rádio, a televisão, os livros, as conferências e as viagens missionárias foram caminhos diferentes para contar essa mesma história: a de Jesus Cristo.
Na Audiência Geral da véspera da beatificação, o Papa Leão XIV desejou que o exemplo de Sheen inspirasse novas formas de anunciar o Evangelho «com alegre entusiasmo». O Papa recordara já que, em criança, acompanhara a evangelização realizada pelo arcebispo através dos meios de comunicação.
O seu testemunho interpela também a Igreja de hoje, que comunica por vídeos, podcasts e redes sociais. Os meios mudaram; permanece a tarefa de anunciar Cristo com clareza e fidelidade. Sobre estas possibilidades, o Santuário propõe também uma reflexão sobre a oração no mundo digital.

Encontrar Cristo nas feridas dos pobres
A homilia de Tagle deu atenção a outra dimensão da vida de Fulton Sheen: a proximidade concreta aos pobres, aos vulneráveis e a quem facilmente fica esquecido.
O cardeal recordou uma intervenção de Sheen durante o Concílio Vaticano II, em 1964, na qual pediu aos Padres conciliares que dessem à pobreza um lugar importante na reflexão sobre a missão da Igreja.
Contou também um episódio passado num centro para pessoas afectadas pela lepra, em Buluba, no Uganda. Ao tentar oferecer uma cruz a um dos homens ali acolhidos, Sheen sentiu medo diante das suas feridas. A cruz que trazia nas mãos fê-lo reconhecer a contradição daquele instante: anunciava Cristo, que Se aproximou dos que sofriam, e hesitava em tocar a pessoa à sua frente. Venceu o medo e tocou-a.
Segundo Tagle, aquele encontro transformou também o próprio evangelizador. A missão exige atenção ao rosto e às feridas das pessoas concretas.

Da televisão para os altares
Fulton Sheen morreu a 9 de dezembro de 1979, em Nova Iorque. A sua causa de beatificação foi aberta em 2002. Em 2012, Bento XVI reconheceu as suas virtudes heróicas, declarando-o Venerável; em 2019, o Papa Francisco autorizou o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão.
Desde a ordenação sacerdotal, Sheen reservava diariamente uma hora para a oração diante do Santíssimo Sacramento. Esta fidelidade ajuda a compreender o lugar que Cristo ocupava no seu apostolado, mesmo quando a sua voz chegava a milhões de pessoas.
A beatificação apresenta aos fiéis o Beato Fulton John Sheen como testemunha de uma evangelização que nasce da oração, comunica pelos meios do seu tempo e se aproxima de quem sofre. Para aprofundar esta dimensão da sua vida, o Santuário reuniu outros testemunhos sobre a Adoração e a Eucaristia na vida dos santos.
Bem-aventurado Fulton Sheen, rogai por nós!



