Quer Ser Mais Feliz? A Ciência Diz Sim à Caridade!

Quer Ser Mais Feliz? A Ciência Confirma a Caridade. Mulher a doar um pão a um sem-abrigo

Quer Ser Mais Feliz? A Ciência Diz Sim à Caridade!

Quem é que não deseja ser feliz nesta vida? Este anseio é justo e, segundo as Sagradas Escrituras, se quisermos ser felizes, devemos viver de modo frequente a virtude da caridade.

A procura da felicidade ao longo da história

Se olharmos para a história, veremos que diversos pensadores relacionaram a felicidade com a prática do bem.

Aristóteles, na sua Ética a Nicómaco, descreve a ética como uma ciência prática que visa não apenas o conhecimento do que é correcto, mas sobretudo a sua aplicação na vida quotidiana. Embora não utilize o termo «caridade», a sua filosofia aponta o caminho da virtude: a felicidade (eudaimonia) não é um prazer passageiro, mas uma condição duradoura que nasce da prática constante do bem. Uma vida virtuosa gera harmonia com os outros e com a sociedade.

Séculos depois, Santo Agostinho aprofundou este tema nas Confissões. Para ele, «quem procura a felicidade, procura a Deus», pois Ele é o Sumo Bem e a fonte de toda a verdadeira alegria. Assim, a prática da caridade não é apenas uma atitude moral, mas um caminho de aproximação a Deus.

Mais próximo de nós, o escritor Hermann Hesse, prémio Nobel da Literatura, defendia que a felicidade não se encontra na posse de bens materiais, mas na sintonia profunda com a vida e com o mundo ao redor. Um eco secular de uma verdade que a Igreja sempre proclamou: a felicidade não nasce do egoísmo, mas do dom de si.

A alegria que nasce da santidade

A tradição da Igreja apresenta-nos testemunhos luminosos.

Madre Teresa de Calcutá dizia: «A maior doença do nosso tempo não é a lepra nem a tuberculose, mas o sentir-se indesejado, não amado e desassistido». Para esta santa, amar melhora a vida de quem recebe, mas também de quem se dá: «Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor». O seu lema era simples: ninguém deve sair da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.

Também São Filipe Néri, conhecido como o «Santo da Alegria», ensinava que «a santidade consiste em estar sempre alegre». Rejeitava a tristeza e preferia, de forma constante, o Paraíso: «Paraíso, Paraíso, eu prefiro o Paraíso». A sua vida é prova de que a alegria autêntica brota do desapego e da confiança em Deus.

O padre Francis Lasance acrescenta ainda uma reflexão preciosa:

«A nossa felicidade depende em grande medida da observância da lei da caridade fraterna: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lc 6,31)».

E comenta:

«Nós colhemos o que semeamos. A bondade gera bondade. O homem dificilmente pode desfrutar de uma satisfação mais doce do que a que resulta de uma boa acção generosamente realizada ou de uma palavra gentil proferida com altruísmo».

A sua conclusão é clara: ser feliz é ser verdadeiramente caridoso em pensamento e em acção, não por obrigação, mas pelo sincero desejo de fazer o bem — sem esperar nada em troca, a não ser a promessa de Cristo:

«Vinde, benditos do meu Pai; recebei como herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e acolhestes-me; estava nu, e vestistes-me; estava doente, e visitastes-me; estava na prisão, e fostes ter comigo» (Mt 25,34-36).

O olhar da ciência sobre a felicidade e a caridade

Curiosamente, também a ciência moderna confirma esta ligação entre felicidade e generosidade.

O investigador Philippe Tobler concluiu que «não é preciso ser mártir para se sentir feliz. Ser um pouco generoso já é suficiente». Estudos de ressonância magnética revelam que o simples acto de decidir gastar com os outros activa áreas cerebrais associadas ao altruísmo que, por sua vez, interagem directamente com os centros da felicidade.

Outro dado impressionante vem do Estudo sobre o Desenvolvimento Adulto de Harvard, iniciado em 1938 e ainda em curso. Este estudo acompanhou centenas de pessoas ao longo de décadas e concluiu que os relacionamentos calorosos são a chave para a saúde e a felicidade duradouras. Já o isolamento e a solidão fragilizam corpo e alma, elevando hormonas de stress e afectando o coração e as articulações.

O psiquiatra Robert Waldinger, responsável pelo estudo, explica: «Relacionamentos fortes ajudam-nos a lidar melhor com as emoções, a dor e os problemas, porque dão um sentimento de pertença». Mas alerta: os vínculos precisam de cuidado, como um músculo que se exercita. Muitos laços não se quebram por grandes conflitos, mas por simples descuido.

Uma descoberta curiosa mostra ainda que quanto mais tempo passamos com alguém, menos sabemos realmente o que essa pessoa pensa — a rotina cria um falso conhecimento. É preciso cultivar o diálogo, a gratidão e a atenção para preservar a proximidade.

Em síntese, segundo a ciência: ser generoso, cuidar das relações e evitar o isolamento é essencial para viver mais feliz.

Fé e ciência em sintonia

Há seis meses, no artigo «Caminhos de Felicidade: A Bússola da Igreja para a Alegria Quotidiana», recordávamos como a tradição da Igreja nos oferece um roteiro seguro para a verdadeira alegria.

Hoje, vemos como a própria ciência confirma este caminho: a felicidade não está no egoísmo, mas no dom de si.

Antigos e modernos, filósofos e santos, ciência e fé, todos parecem dizer em uníssono: se quer ser mais feliz, viva a caridade de modo constante e encontrará no próximo o próprio Cristo.

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