Do Génesis ao Advento: A promessa de um novo começo

Do Génesis ao Advento: A promessa de um novo começo

As Sagradas Escrituras contam a História da Salvação e são uma colecção de cartas de amor de um Deus de misericórdia para cada um de nós. Já alguma vez pensou em como estas histórias milenares podem tocar a sua vida hoje? Ao meditarmos, seja a Criação do Mundo e do homem, a Libertação do povo hebreu, a Arca de Noé e tantas outras histórias bíblicas, contemplamos um Deus que quer salvar e libertar o Seu povo com amor e misericórdia.

Todo este caminho trilhado, após o pecado original, mostra-nos o esforço do Senhor para que o homem retorne à originalidade, à imagem e semelhança à qual foi criado.

Do advento à volta de Cristo

Encerramos, com a Solenidade de Cristo Rei, o Ano Litúrgico e agora recomeçamo-lo com o Advento que nos prepara para um dos maiores presentes de Deus Pai para a humanidade: o Seu Filho Jesus, como lemos: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único para que todo que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

O Papa Francisco lembra-nos que o advento, além de ser um tempo de oração e de memória do Natal de Jesus, também nos prepara para a segunda e definitiva vinda de Cristo, a Sua Parusia. Este é um tempo de esperança activa, onde cada gesto de amor e caridade nos aproxima mais do Senhor.

“O Advento é o tempo que nos é concedido para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro, também para verificar o nosso desejo de Deus, para olhar em frente e nos preparar para o regresso de Cristo. Ele voltará a nós, na festa do Natal, quando fizermos memória da sua vinda histórica na humildade da condição humana; mas vem dentro de nós todas as vezes que estamos dispostos a recebê-lo, e virá de novo no fim dos tempos para ‘julgar os vivos e os mortos’. Por isso, devemos estar vigilantes e esperar o Senhor com a expectativa de o encontrar”, lembrou o Pontífice.

Caminho do Advento

Se no Antigo Testamento o povo facilmente desviava o olhar daquilo e dAquele que é Eterno, do Bom, Belo e Verdadeiro, o advento convida-nos a dar passos de fidelidade e amor num caminho rumo a Cristo que nasce pequeno para nos ensinar a ser gente novamente. Como podemos, no nosso quotidiano, manter o olhar fixo no que é verdadeiramente importante?

Neste caminho, vamos acompanhados de personagens importantes, como o profeta Jeremias, o precursor João Baptista, o castíssimo São José e a Santíssima Virgem Maria.

A cada Domingo, a cada vela acesa na coroa do advento, esses personagens convidam-nos a atitudes firmes e a uma verdadeira conversão. Podemos resumir essas atitudes em: “atenção e oração” (cf. Lc 21,25-28.34-36), “disponibilidade” (cf. Lc 1,26-38), “alegria” (cf. Sf 3,14-18a) e “serviço” (cf. Lc 1,39-45).

Este ano, de forma especial, temos uma grande Solenidade num dos domingos do advento. No dia 8 de Dezembro, 2º Domingo deste tempo de reflexão e conversão, celebraremos a Imaculada Conceição da Virgem Maria, dogma totalmente ligado ao Natal de Jesus, considerando que a concepção imaculada da Virgem Santa Maria é destinada ao nascimento de Jesus pois o Pai preparou mãe que fosse digna do Seu Filho.

Meditação de Escrivá

São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei e considerado “o santo do quotidiano”, ajuda-nos a meditar sobre este tempo.

“‘Olhai e levantai as vossas cabeças porque está próxima a vossa redenção’ (Lc 21,28), lemos no Evangelho. O tempo do Advento é o tempo da esperança. Todo o panorama da nossa vocação cristã, a unidade de vida que tem como nervo a presença de Deus, Nosso Pai, pode e deve ser uma realidade diária.

Nada mais queria dizer-vos neste primeiro Domingo do Advento, quando já começamos a contar os dias que nos aproximam do Natal do Salvador. Vimos a realidade da vocação cristã, ou seja, como o Senhor confiou em nós para levar as almas à santidade, para as aproximar d’Ele, para as unir à Igreja e estender o reino de Deus a todos os corações. O Senhor quer-nos entregues, fiéis, dedicados, com amor. Quer-nos santos, muito seus” (Cristo que passa, 11).

Que neste tempo do advento, nos esforcemos ainda mais para vivermos como filhos de Deus, como santos, eleitos, escolhidos para o Céu.

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