Depois da Ressurreição, Jesus deixou aos discípulos uma promessa que atravessou os séculos e continua a sustentar a Igreja: «Eu estou convosco todos os dias, até ao fim dos tempos» (Mt 28,20).
É uma das frases mais consoladoras do Evangelho. Cristo não abandona os seus discípulos, nem deixa a Igreja entregue apenas às suas próprias forças. Permanece presente na Palavra, nos sacramentos, de modo particular na Eucaristia, na comunidade reunida em seu nome e na acção do Espírito Santo.
Mas a própria frase pode levantar uma pergunta: se Jesus promete permanecer connosco «até ao fim dos tempos», o que acontece depois? A presença de Cristo termina quando a história chegar ao seu termo?
A fé cristã afirma que a presença de Cristo permanece para sempre. O fim dos tempos será a sua manifestação plena.
O fim dos tempos na esperança cristã
Na linguagem bíblica, o fim dos tempos refere-se ao cumprimento definitivo da história da salvação, quando Cristo regressar gloriosamente e o Reino de Deus alcançar a sua plenitude.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que, desde a Ascensão, o desígnio de Deus entrou na sua consumação e que já vivemos na «última hora» de que fala o Novo Testamento (cf. CIC, 670). O Reino de Cristo está já presente na Igreja, embora ainda aguardemos a sua manifestação plena (cf. CIC, 671).
Isto significa que a Igreja vive entre dois grandes acontecimentos: a primeira vinda de Cristo, na humildade de Belém, e a sua segunda vinda, na glória.
Depois da Ressurreição, Jesus subiu ao Céu, mas prometeu voltar. Os anjos disseram aos Apóstolos, enquanto estes olhavam para o alto: «Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu» (Act 1,11).
Por isso, a esperança cristã olha para o futuro com confiança. Esperamos Jesus Cristo, que prometeu voltar.
A segunda vinda de Cristo
Esta esperança está presente em cada celebração da Eucaristia e é professada no Credo: «E de novo há-de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu Reino não terá fim.»
A segunda vinda de Cristo, tradicionalmente chamada Parusia, será diferente da primeira. Em Belém, Jesus entrou discretamente na história humana, fazendo-se criança e assumindo a fragilidade da nossa condição. No fim dos tempos, manifestar-se-á plenamente como Senhor da história.
São Paulo descreve este acontecimento anunciando que o Senhor descerá do Céu, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus (cf. 1 Ts 4,16). O Apocalipse apresenta Cristo como Aquele que vem para estabelecer definitivamente a justiça de Deus e vencer todo o mal.
Jesus não nos pede que façamos cálculos sobre datas. Afirma que ninguém conhece o dia nem a hora (cf. Mt 24,36).
Esperar a sua vinda exige que permaneçamos atentos e fiéis, sustentados pela esperança.
A ressurreição dos mortos
A vinda gloriosa de Cristo está também ligada à ressurreição dos mortos.
A fé cristã ensina que a salvação envolve a pessoa inteira, corpo e alma. Professamos no Credo que esperamos «a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir».
São Paulo afirma que, assim como todos morrem em Adão, também em Cristo todos serão restituídos à vida (cf. 1 Cor 15,22).
No fim dos tempos, todos os mortos ressuscitarão. A Igreja distingue, porém, a ressurreição para a vida da ressurreição para a condenação, segundo as palavras de Jesus (cf. Jo 5,28-29; CIC, 997-998). Os justos participarão, em corpo e alma, da glória de Cristo ressuscitado (cf. CIC, 1042).
É por isso que a morte, embora continue dolorosa, não possui a última palavra.
E haverá um juízo
A Sagrada Escritura ensina também que Cristo virá para julgar.
O juízo final manifestará plenamente aquilo que cada pessoa fez da sua liberdade, do amor recebido e das oportunidades que lhe foram dadas. Jesus apresenta esta realidade de forma particularmente clara no capítulo 25 do Evangelho segundo São Mateus, quando identifica a nossa relação com Ele com a forma como tratámos os mais pequenos: «Quantas vezes o fizestes a um destes meus irmãos mais pequenos, a mim o fizestes» (Mt 25,40).
O Catecismo ensina que, diante de Cristo, será revelada a verdade da relação de cada pessoa com Deus, bem como as consequências do que fez ou deixou de fazer de bem ao longo da sua vida (cf. CIC, 1039).
Falar do fim dos tempos diz, por isso, respeito à forma como vivemos hoje.
Um novo céu e uma nova terra
Depois do juízo final, os justos reinarão para sempre com Cristo e a criação será definitivamente renovada (cf. CIC, 1042-1044).
São Pedro anuncia novos céus e uma nova terra, onde habita a justiça (cf. 2 Pe 3,13). O Apocalipse apresenta a mesma esperança na visão de «um novo céu e uma nova terra» (Ap 21,1).
A esperança cristã aponta para a transformação e glorificação da criação. É então que encontra pleno sentido a promessa de Jesus.
Cristo acompanhará a sua Igreja em toda a peregrinação histórica, até ao momento em que já não será necessário caminhar pela fé. Na comunhão eterna com Deus, veremos face a face Aquele que hoje encontramos veladamente.
Esta comunhão não começa apenas no fim dos tempos: os que morrem na graça de Deus e estão inteiramente purificados já vivem com Cristo no Céu, enquanto aguardam a ressurreição dos seus corpos (cf. CIC, 1023-1025).
São Paulo exprime-o assim: «Agora vemos como num espelho e de maneira confusa, depois, veremos face a face» (1 Cor 13,12).
Depois do fim dos tempos, portanto, Cristo permanecerá para sempre com os seus. A sua presença será vivida em plenitude.
A história chegará ao seu cumprimento, o mal será definitivamente vencido, a morte deixará de existir e Deus será «tudo em todos» (1 Cor 15,28).
É para este encontro que caminha a Igreja cada vez que reza uma das últimas invocações do Apocalipse: «Vem, Senhor Jesus!» (Ap 22,20).



