Novena ao Sagrado Coração de Jesus

Novena ao Sagrado Coração de Jesus

Novena ao Sagrado Coração de Jesus

Para esta Novena do Sagrado Coração, propomos-vos meditações a partir de palavras de São João Paulo II. Encontrareis excertos da homilia que proferiu a 5 de Outubro de 1986, em Paray-le-Monial, aquando da sua peregrinação apostólica na Cidade do Coração de Jesus. Outras meditações são excertos de Ângelus de João Paulo II, nos anos 1980, a partir de diversas invocações das Ladainhas do Sagrado Coração.

Como rezar esta novena

  1. Ler a meditação do dia.
  2. Recitar a oração de consagração ao Sagrado Coração.
  3. Meditar as ladainhas do Sagrado Coração de Jesus.

«Senhor Jesus, Vós que viestes acender um fogo sobre a terra, eu abandono-me hoje à vontade do Pai e ao sopro do Espírito. Purifica o meu coração, abrasa-o de amor e de caridade, faz crescer em mim o desejo da santidade. Pelo Coração Imaculado de Maria, eu consagro-me inteiramente ao Vosso Coração para Vos amar e servir.»

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, ouvi-nos.

Cristo, atendei-nos.

Pai do Céu, que sois Deus, tende piedade de nós.

Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, Filho do Pai eterno, tende piedade de nós. (Mt 16, 16)

Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós. (Mt 1, 20)

Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós. (Jo 1, 14; Col 2,9)

Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós. (Mt 25, 31)

Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós. (Jo 2, 21)

Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós. (Heb 9, 12)

Coração de Jesus, casa de Deus e porta do Céu, tende piedade de nós. (Gén 28, 17; Jo 1, 51)

Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós. (Lc 12, 49; Ef 2, 4)

Coração de Jesus, santuário da justiça e do amor, tende piedade de nós. (Heb 1, 9)

Coração de Jesus, cheio de amor e de bondade, tende piedade de nós. (Lc 18, 19; Tit 3, 4)

Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós. (Ap 22, 1; Fil 4, 7-9)

Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós. (Ap 5, 12-14)

Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós. (Heb 2, 8)

Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e da ciência, tende piedade de nós. (Col 2, 3)

Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, tende piedade de nós. (Col 2, 9)

Coração de Jesus, no qual o Pai pôs todas as suas complacências, tende piedade de nós. (Mt 17, 5)

Coração de Jesus, de cuja plenitude todos nós recebemos, tende piedade de nós. (Jo 1, 16)

Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, tende piedade de nós. (Gén 49, 26; Jo 12, 22)

Coração de Jesus, paciente e de muita misericórdia, tende piedade de nós. (2 Ts 3, 5)

Coração de Jesus, rico para todos os que Vos invocam, tende piedade de nós. (Rm 10, 12)

Coração de Jesus, fonte de vida e de santidade, tende piedade de nós. (Is 12, 3; Jo 7, 37)

Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados, tende piedade de nós. (1 Jo 2, 2)

Coração de Jesus, saciado de opróbrios, tende piedade de nós. (Lam 3, 30)

Coração de Jesus, atribulado por causa dos nossos crimes, tende piedade de nós. (Is 53, 5)

Coração de Jesus, feito obediente até à morte, tende piedade de nós. (Fil 2, 8)

Coração de Jesus, transpassado pela lança, tende piedade de nós. (Is 53, 5; Jo 19, 34)

Coração de Jesus, fonte de toda a consolação, tende piedade de nós. (2 Cor 1, 3)

Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós. (Jo 14, 6; Jo 11, 25)

Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós. (Ef 2, 16-17; Col 1, 20)

Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós. (1 Jo 2, 2; Heb 2, 14)

Coração de Jesus, salvação dos que esperam em Vós, tende piedade de nós. (Act 4, 12; Heb 9, 28)

Coração de Jesus, esperança dos que morrem em Vós, tende piedade de nós. (1 Ts 4, 15; Tit 3, 7)

Coração de Jesus, delícia de todos os santos, tende piedade de nós. (Ap 19, 7)

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V. Jesus, manso e humilde de Coração.

R. Fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.

Oremos

Deus eterno e omnipotente, olhai para o Coração do Vosso Filho bem-amado assim como para os louvores e satisfações que Ele Vos apresenta em nome dos pecadores e, àqueles que imploram a vossa misericórdia, com favor concedei o vosso perdão em nome deste mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, que vive e reina convosco e com o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amen.

Em cada dia da novena, após a meditação, reze a Oração de Consagração e as Ladainhas do Sagrado Coração.

Meditação

Toda a história da espiritualidade cristã o testemunha: a vida do homem crente em Deus, tendida para o futuro pela esperança, chamado à comunhão do amor, esta vida é a do coração, a do homem «interior». Ela é iluminada pela verdade admirável do Coração de Jesus que se oferece a Si mesmo para o mundo.

«Eu derramarei sobre vós uma água pura, e sereis purificados» (Ezequiel 36).

Sim, Deus purifica o coração humano. O coração, criado para ser o foco do amor, tornou-se o foco central da recusa de Deus, do pecado do homem que se desvia de Deus para se apegar a todas as sortes de «ídolos». É então que o coração é «impuro». Mas quando o mesmo lugar interior do homem se abre a Deus, ele reencontra a «pureza» da imagem e da semelhança impressas nele pelo Criador desde o começo. O coração é também o foco central da conversão que Deus deseja da parte do homem e para o homem, para entrar na sua intimidade, no seu amor.

Meditação

Santa Margarida Maria conheceu este mistério admirável, o mistério comovente do Amor divino. Ela foi apreendida inteiramente por este mistério divino como o exprime a admirável oração do salmo: «Bendizei o Senhor, ó minha alma, Bendizei o seu nome santíssimo, todo o meu ser!». «Todo o meu ser», é dizer «todo o meu coração»! Bendizei o Senhor! … Ele perdoa. Ele «cura». Cheio de amor: de amor misericordioso. Ele. Verdadeiramente Ele, o Cristo. Em Paray-le-Monial, como outrora o Apóstolo Paulo, a humilde serva de Deus parecia gritar ao mundo inteiro: «Quem nos poderá separar do amor de Cristo?».

No nosso tempo, a mesma questão ressoa, dirigida a cada um de nós. Com Paulo de Tarso, com Margarida Maria, proclamamos a mesma certeza: «nada nos poderá separar do amor de Deus que está em Jesus Cristo». Tenho a certeza… nada poderá jamais…! Temos a certeza do seu Amor!

Jesus Cristo é rei dos corações. Sabemos que durante a sua actividade messiânica, o povo, vendo os sinais que Ele realizava, queria «proclamá-lo rei». Sabemos também que à questão: «Tu és rei?» na presença do tribunal de Pilatos, Jesus de Nazaré respondeu: «O meu reino não é deste mundo. É para isto que nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da Verdade escuta a minha voz» … [Jesus] nunca quis ser um soberano temporal. Ele desejou unicamente este reino que não é deste mundo e que, ao mesmo tempo, se enraíza neste mundo através da verdade nos corações humanos: no homem interior. Por este reino, o reino dos filhos e filhas adoptivos de Deus, Ele deu a sua vida na cruz. E reconfirmou este reino pela sua ressurreição dando o Espírito Santo aos apóstolos e aos homens na Igreja. Desta forma Jesus Cristo é o rei e o centro de todos os corações.

A fornalha arde. O Coração de Jesus, o Coração humano de Jesus, arde do amor de que transborda. E este amor é o Amor para o Pai eterno e o amor para os homens; para os seus filhos e filhas adoptivos. O Coração de Jesus é uma fornalha inextinguível. Nisto Ele assemelha-se a este «arbusto ardente» do livro do Êxodo, no qual Deus se revelou a Moisés. O arbusto que estava em chamas… «não se consumia». O amor que arde no Coração de Jesus é sobretudo o Espírito Santo, no qual o Deus-Filho se une eternamente ao Pai.

O Coração de Jesus, o Coração humano do Deus-homem, é abraçado pela viva chama do Amor trinitário, que nunca se extingue. Que no horizonte da vida de cada um e de cada uma de nós, nunca cesse de arder o Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade. Que Jesus nos revele o Amor que nunca se extingue e nunca se deteriora, o Amor que é eterno. A fim de que ilumine as trevas da noite terrestre e aqueça os corações.

Meditação

Não é assim o Coração d’Aquele que «passou fazendo o bem e curando todos os que estavam sob o poder do diabo»? Não é assim o Coração de Jesus, que não tinha Ele mesmo «onde reclinar a cabeça, enquanto as raposas têm covis e as aves do céu têm ninhos»? Não é assim o Coração de Jesus, que defendeu a mulher adúltera do apedrejamento e lhe disse depois «Vai, e de agora em diante não peques mais»? Não é assim o Coração d’Aquele que foi chamado «amigo dos publicanos e dos pecadores»?

O Coração paciente, porque está aberto a todos os sofrimentos do homem. O Coração paciente, porque está Ele mesmo disposto a aceitar um sofrimento para além de toda a medida humana! Que é, com efeito, a misericórdia, senão esta medida definitiva do amor que se abaixa até ao coração mesmo do mal a fim de o vencer pelo bem?

Meditação

No Coração transpassado contemplamos a obediência filial de Jesus ao seu Pai, cuja missão Ele cumpriu até à sua realização, e o seu amor fraterno pelos homens, que Ele «amou até ao fim», isto é, até ao extremo sacrifício de Si mesmo. O Coração transpassado de Jesus é o sinal deste amor em direcção vertical e horizontal, como os dois braços da Cruz. O Coração transpassado é também o símbolo da vida nova, dada aos homens pelo Espírito e pelos sacramentos. Mal o soldado deu o golpe de lança que, da ferida de Jesus, «saiu sangue e água». Como da rocha ferida por Moisés no deserto nasceu uma fonte de água, assim do lado de Cristo, ferido pela lança, nasceu uma torrente de água para dessedentar o novo povo de Deus. Esta torrente é o dom do Espírito, que alimenta em nós a vida divina.

Finalmente, do Coração transpassado de Jesus, nasce a Igreja. Como do lado de Adão adormecido, Eva sua esposa foi criada, assim, segundo uma tradição patrística que remonta aos primeiros séculos, do lado aberto do Salvador, adormecido na Cruz no sono da morte, foi criada a Igreja, sua esposa; ela forma-se justamente a partir da água e do sangue – Baptismo e Eucaristia –, que nascem do Coração transpassado. O Evangelista observa que ao lado da cruz se encontrava a Mãe de Jesus. Ela viu o Coração aberto de onde corria o sangue e a água, do sangue tirado do seu sangue, e ela compreendeu que o sangue do seu filho era derramado para a nossa Salvação. Então ela compreendeu totalmente o significado das palavras que o seu Filho lhe tinha dirigido pouco antes: «Mulher, eis o teu filho»: a Igreja que nascia do Coração transpassado era confiada ao seu coração de mãe.

Meditação

As Ladainhas concluem-se dirigindo-se ao Coração de Jesus como «alegria de todos os santos». É já uma visão do paraíso; é uma breve palavra que abre horizontes infinitos de beatitude eterna.

Nesta terra o discípulo de Jesus vive na expectativa de reencontrar o seu Mestre, no desejo de contemplar o seu rosto, na aspiração pungente de viver sempre com Ele. Pelo contrário, no céu, uma vez passada a expectativa, o discípulo já entrou na alegria do seu Senhor: ele contempla o rosto do Mestre, que já não está transfigurado senão por um só instante, mas que resplende para a eternidade do brilho da Luz eterna; ele vive com Jesus e da mesma vida que Jesus.

A vida do Céu não é outra senão a fruição perfeita, indefectível, intensa do amor de Deus – Pai, Filho, Espírito Santo –; ela não é outra senão a revelação total do ser íntimo de Cristo, e a comunicação completa com a vida e o amor que nascem do seu Coração.

Meditação

No Céu os bem-aventurados vêem todos os seus desejos satisfeitos, cada profecia realizada, cada aspiração à felicidade preenchida, cada anseio realizado. O Coração de Cristo é a fonte da vida de amor dos santos: em Cristo e por Cristo os bem-aventurados do Céu são amados pelo Pai, que os une a Ele pelo laço do Espírito Santo, divino Amor. Em Cristo e por Cristo (os bem-aventurados) amam o Pai e os homens, seus irmãos, com o amor do Espírito. O Coração de Cristo é o espaço vital dos bem-aventurados: o lugar onde eles permanecem no amor, de onde tiram uma alegria eterna e sem limite. A sede infinita de amor, sede misteriosa que Deus colocou no coração humano, é preenchida no Coração divino de Cristo. O desejo intenso que se exprimia sobre a terra pelo suspiro: «Vem, Senhor Jesus» (Apocalipse 22) transforma-se agora no Céu em frente a frente, em posse tranquila, em fusão de vida: de Cristo nos bem-aventurados, dos bem-aventurados em Cristo!

Fonte: Santuário de Paray-le-Monial (França). Tradução e adaptação para o uso do Santuário de Cristo Rei.

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