Santa Hildegarda de Bingen: A Mulher que Uniu Ciência e Espiritualidade

Santa Hildegarda de Bingen: A Mulher que Uniu Ciência e Espiritualidade

Santa Hildegarda de Bingen: A Mulher que Uniu Ciência e Espiritualidade

“Deus, que fez todas as coisas por um acto da sua vontade e as criou para tornar conhecido e honrado o seu nome, não se contenta em mostrar através do mundo apenas o que é visível e temporal, mas manifesta nele aquelas realidades que são invisíveis e eternas. Isto é o que me foi revelado” (Santa Hildegarda).

Dentre as muitas celebrações do mês de Setembro, com alegria fazemos memória, no dia 17, de Santa Hildegarda de Bingen (1098-1179), Mística, Religiosa e Doutora da Igreja.

Santa Hildegarda de Bingen foi uma figura notável do século XII. Aos 14 anos, entrou para o mosteiro beneditino de Disibodenberg, onde recebeu a sua educação e formação religiosa. Ali, desenvolveu os seus dons intelectuais e espirituais, que a tornariam uma das mulheres mais influentes da sua época.

“Luz do seu povo e do seu tempo”, foi a definição dada por São João Paulo II à santa, em 1979, por ocasião dos 800 anos da sua Páscoa.

Ultimamente, o nome de Santa Hildegarda está em “alta”, por conta dos seus ensinamentos sobre o uso de medicina natural, óleos essenciais e outros métodos relacionados à saúde do corpo, da mente e da alma. Além da medicina natural, Hildegarda fez contribuições significativas em áreas como a botânica, a biologia e a cosmologia. O seu trabalho Physica é considerado um dos primeiros livros de história natural escritos na Europa.

Santa Hildegarda de Bingen

Os seus ensinamentos vão além da “medicina natural”, o que lhe rendeu o título de “Doutora da Igreja”, outorgando a sua grande contribuição à vida da Igreja. Também chamam a atenção as suas visões místicas das quais muitos duvidam incredulamente. Sobre isso, disse o Papa Bento XVI: “As visões místicas de Hildegarda assemelham-se às dos profetas do Antigo Testamento: expressando-se com as categorias culturais e religiosas de sua época, interpretava à luz de Deus as Sagradas Escrituras, aplicando-as às várias circunstâncias da vida”.

Ciência e Espiritualidade

A ciência em Hildegarda trata tanto da questão medicinal quanto dos seus muitos estudos. Ela era incansável em aprender e disseminar as verdades sobre Nosso Senhor Jesus Cristo e a fé. Este foi um dos pontos relevantes para que, junto a São João de Ávila, ela fosse, em 7 de Outubro de 2012, proclamada Doutora da Igreja.

Na Carta Apostólica escrita por ocasião da proclamação, o Papa Bento XVI reforçou a importante contribuição de Santa Hildegarda à fé. “O ensinamento da santa monja beneditina coloca-se como uma guia para o Homo viator. A sua mensagem é extraordinariamente actual no mundo contemporâneo, de modo especial sensível ao conjunto dos valores propostos e vividos por ela. Pensamos, por exemplo, na capacidade carismática e especulativa de Hildegarda, que se apresenta como um incentivo vivaz à pesquisa teológica; na sua reflexão sobre o mistério de Cristo, considerado na sua beleza; no diálogo da Igreja e da teologia com a cultura, a ciência e a arte contemporânea; no ideal de vida consagrada, como possibilidade de realização humana, na valorização da liturgia, como celebração da vida; na ideia de reforma da Igreja, não como estéril mudança das estruturas, mas como conversão do coração; na sua sensibilidade pela natureza, cujas leis devem ser tuteladas e não violadas”, escreveu o pontífice.

Exemplo para as mulheres

Mas além disso, Bento XVI lembra que a figura da santa alemã também engrandece e reforça a importância da presença feminina na vida da Igreja Católica. “Em Hildegarda resultam expressos os valores mais nobres da feminilidade: por isso também a presença da mulher na Igreja e na sociedade é iluminada pela sua figura, tanto na óptica da pesquisa científica como na da acção pastoral. A sua capacidade de falar a quantos estão distantes da fé e da Igreja fazem de Hildegarda uma testemunha credível da nova evangelização”, exortou.

Scivias (1151 e 1152), Liber vitae meritorum (1158-1163) e Liber divinorum operum (1163-1174) foram as três obras místicas escritas por Santa Hildegarda de Bingen e que merecem muito a nossa leitura e atenção. Já Physica e Causae curae são os escritos da santa sobre ciências naturais.

Santa Hildegarda também foi uma compositora talentosa, tendo escrito numerosos hinos e canções litúrgicas. A sua obra musical Ordo Virtutum é considerada a primeira moralidade ou peça litúrgica conhecida, demonstrando a sua versatilidade e contribuição para diversas áreas do conhecimento e da arte.

Peçamos a intercessão de Santa Hildegarda, para também conseguirmos congregar na nossa vida todas as áreas: a saúde do corpo, da alma e da mente, para que, sarados, louvemos a Deus.

Santa Hildegarda, rogai por nós.

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